O perigo de tentar resolver rápido problemas que a empresa ainda não compreendeu

Antes de trocar estratégias, fornecedores ou processos, talvez a pergunta mais importante seja: qual problema estamos realmente tentando resolver?

É incrível como, quando somos crianças, fazemos coisas completamente irracionais.

E, olhando para trás, algumas lembranças da infância deixam isso muito claro.

Eu poderia facilmente julgar a minha versão criança por algumas decisões que tomei. Mas a verdade é que eu era apenas uma criança tentando resolver os problemas da forma que fazia sentido para mim naquele momento.

Resolvi compartilhar uma dessas histórias aqui porque, por mais engraçada que ela pareça hoje, ela carrega reflexões muito importantes sobre tomada de decisão, estratégia e até sobre a forma como muitas empresas lidam com seus desafios.

Então bora para a história.

Quando eu era criança, morei em uma casa muito simples, em uma comunidade de Belo Horizonte.

Lembro que, em alguns momentos, para a luz da cozinha funcionar, era necessário juntar dois fios.

Eu tinha medo de colocar a mão neles.

Então tive uma ideia que, na minha cabeça de criança, parecia mais segura: usar um garfo.

O resultado foi um choque daqueles que a gente não esquece.

Anos depois, percebo como essa lógica continua presente em muitas empresas. E foi justamente por isso que decidi compartilhar algumas lições que tirei desse episódio.

Nem toda solução aparentemente segura é realmente segura

Na minha cabeça, o garfo era uma alternativa mais inteligente.

Eu não entendia eletricidade.
Não entendia os riscos.
Não entendia as consequências.

Eu apenas queria resolver o problema da forma mais rápida possível.

E é exatamente aí que muitas empresas tropeçam.

Diante de um desafio, a pressão por agir rapidamente costuma falar mais alto do que a necessidade de compreender o que realmente está acontecendo.

Troca-se a estratégia.
Troca-se a ferramenta.
Troca-se o fornecedor.
Troca-se a agência.
Troca-se o processo.

Mas nem sempre existe clareza sobre a verdadeira causa do problema.

O sintoma raramente conta toda a história

Ao longo da minha trajetória profissional, uma das coisas que mais observei é que os sintomas costumam apontar para um lugar diferente da origem do problema.

O que parece um problema de marketing pode ser um problema de posicionamento.

O que parece um problema de vendas pode ser uma questão de percepção de valor.

O que parece um problema de comunicação pode ser um problema de alinhamento entre áreas.

O que parece um problema operacional pode estar relacionado à falta de processos claros.

Por isso, agir apenas sobre o sintoma normalmente gera soluções superficiais.

A importância do diagnóstico

Nos projetos em que atuo, uma das etapas mais importantes não é a execução.

É o diagnóstico.

Porque antes de propor qualquer ação, é preciso entender:

  • O que realmente está acontecendo?
  • Qual é a causa do problema?
  • Estamos olhando para um sintoma ou para a origem?
  • Quais evidências sustentam essa percepção?
  • O que os dados mostram?

Sem esse processo, existe um grande risco de investir tempo, energia e recursos na direção errada.

O que o garfo me ensinou sobre estratégia

Aquela criança só queria resolver um problema.

Mas, por não compreender completamente a situação, escolheu uma solução que aumentou o risco em vez de resolvê-lo.

E, de certa forma, empresas fazem isso todos os dias.

Por isso, antes de agir, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Qual solução vamos implementar?”

Mas sim:

“Qual problema estamos realmente tentando resolver?”

Porque velocidade é importante.

Mas clareza continua sendo indispensável.

E decisões tomadas sem compreensão costumam custar caro.

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